sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A


As árvores alegres, autênticas...absolutas. Abalam-se. Alguém absorve a alma ave, anjo...asas. Álias antes acontecia amor. As amantes ardem-se, assim...afim. Afeto aflora afinidades agradáveis, acabando a afobação. Ali abaixados...alinhavados.

Assustada afaga a ameaça apreendida, a alcoólatra aturava alfinetadas adoçicadas aliada as atividades amorosas. Asemelhan-se as avassaladoras amoras avermelhadas. Apenas amoras apimentadas amamentam as almas andando arrependidas. Antigamente aqueles azuis alvos aqueciam as amargas amarras atando-as à acordes angelicais.

Aprontando, apanhando, alcançando, apontando até a aurora ao amanhecer aperfeiçoado aparecer, abraçar-me,afagar-me...abandonar-ne ao anoitecer.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O balanço

Meus dedos estão calejados de tanto aprender à sofrer,meu corpo já não é mas o mesmo...sinto dores em lugares que nem sabia que existiam, minha respiração falha sem eu ao menos perceber,quando olho para o horizonte só enxergo embaçamento.E quando me vejo no espelho não me reconheço mais, na minha memória está guardada a imagem daquela jovem moça...menina que gosta de brincar no balanço, sentir o vento batendo no rosto , os cabelos se enroscando ,olhar o céu azul ,azul, azul sem nenhuma nuvem...o sol lá longe piscando para mim, a única coisa que se ouve é o ranger da corda com o vai e vem do balanço...só isso num silêncio sem fim, e por um segundo esqueci de tudo ,da boneca, de moer cana,de varrer a terra,de olhar,de piscar, de respirar...esqueci de pensar, só fiquei alí...balançando sem se preocupar com nada .Senti.Pela primeira vez senti.A vida como ela deveria ser vivida, como ela deveria ser sentida.
Balançando,balançando...poderia morrer ali ou o mundo acabar naquele segundo eu continuaria alí...choveu,choveu, Choveu e eu comecei a sorrir como nunca.Senti cada pingo de chuva beijando meu corpo.Eu senti.Mas não parava de balançar não podia parar, aquilo era tão bom.O refrescante ar foi passando.
Parou de chover
E eu ali toda molhada percebi que o mundo era mais mundo...que os galhos secos estavam escharcados por minha causa ,eu tinha feito chover ..eu sozinha...sozinha....sem ninguém olhando...sozinha
Derrepente volta aos meus ouvidos o ranger das cordas, e rangem cada vez mais alto,alto.Alto.Um grito trovador de meu pai desintegra o silêncio,a corda arrebenta ...e eu vôo,pairo no ar.Alto. Saio em busca da chuva,do ar gelado... e quando caio no chão.Tudo volta ao seu lugar.
Meus pensamentos não são mais meus, agora, são de meu pai.Me mandando levantar e ir para o moinho aos berros...eu alí parada em choque não sabia o que fazer! não sabia obedecer!!...deitei no chão e em um gesto de menina taquei terra em suas costas ,ele olhou para trás,eu ainda fora de mim comecei a rir, e ele olhando para mim sem reação vendo como eu dava risada...Começou a rir também...nunca tinha visto meu pai rir...numa mesma sintonia ...rimos, eu brincando com a terra e rolando no chão...meu pai sentou com a mão no ventre e começamos a brincar... os dois, rolávamos e pulavamos debaixo do sol que agora nos olhava firmemente com curiosidade...num instante a risada foi indo , indo ,foi.Paramos, meu pai se levantou espanou o ombro e entrou em casa sem dizer uma só palavra.
Depois de alguns minutos abri os olhos ...e me vi aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Capitolina


Eu ainda era moça, quando ele me apareceu. Seu rosto nunca saiu da minha memória, lembro de todos os contornos. Sua boca lisa, mordidas fúteis. Seus olhos luz, seduz o que espera. Deve ser só isso, menti quando disse que lembrava de tudo.Oh! E suas mãos, como podia ter esquecido.
Ele se aproximava e se dispersava com a fumaça, que não gostava.Me provocava com sua mãos macias , grossas e amavéis. Existiam sim toques obscenos se notasse. Mas eu gostava.

Mergulhei nele, e ele...se deixou levar pelas minhas correntezas. Contornei , deslizei, perguntei e quase desacreditei.

Ele era só meu ,e eu sabia disso.Casamos. Nunca tive medo de perdê-lo. Tivemos um filho.Ele não seria capaz disso.

Eu sempre o amei, sempre, nunca me deixai levar por outro, a não ser por ele.Mas suas mãos.Ele era a minha juventude, eu o mastigava, deglutia e respirava. Suas mãos. Às vezes ele balançava nos meus amores e acreditava que eu não seria capaz, mas definitivamente suas mãos me induziam a loucura. Eu mergulhava, uma vez, duas, três, mil vezes se ele quisesse. Não tinha pudores, nunca tive e ele não tinha malicia.Mãos.

Sempre acreditei nele, pena que ele não. Dúvidas mal perguntadas, ilusões indefinidas, perguntas corretas engolidas. Eu nasci e vivi para amá-lo, e ele sempre amou a si mesmo.

Contava nossas íntimidades para seu amigo que nunca conheci profundamente, mas o admirava. Não achava isso certo, contar nossas histórias, aventuras para um homem que mal via. Mas depois de um tempo não me importava mais, já era da família. Porque ele o tratava como se fosse, às vezes penso que ele amava mais seu amigo do que a mim. Mas não conseguia fazer nada.
Ele me atava com suas mãos grosseiras...

Eu o amava mais que a mim mesma, mas ele se cansou dos meus olhos e eu de suas mãos.

Fui embora dele, mesmo assim o deixei molhado, por dentro e por fora, impregnado com meu sal .

Meu nome é Capitolina