segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Procura-se

O que está acontecendo?
Como pude fazer isso...?
Como pude não fazer isso?
Porque me deixei levar pela normalidade e não mergulhei-me mais.
Esses eventos diários me desajustam, me enterram abaixo de amálgamas dessa superficialidade online.
Como pude fazer isso comigo...deixar de escrever.
Debruçar-me sobre mim em palavras era a única coisa que me salvava. Mas fui engolida pelo que mais temia, a rotina, o esquecimento, a superfície.  Eu me sabotei por esses anos que não me escrevi. Eu me sabotei na vida. O medo de ser *extra tornou-me *ordinária.
Essa vereda parece que não tem volta.
Meus amigos daqui sumiram, ninguém mais escreve, agora postam foto.
Porque me deixei levar?
Porque me subestimei tanto a ponto de abandonar-me?
Volto agora com fome de palavras, pois o amor já não existe mais, a admiração tão pouco.
É necessário ser quase santa para ser amada
É necessário ser muito boa para ser amada
E olhe lá...!
Eu não sou santa!

Eu existo e estou aqui para provar isso para mim!
Como pude ser tão mesquinha comigo?
Como pude tantas coisas...
Como não pude tanta outras...
Como pude me trair?
Como pude me limitar?
Como pude não ter coragem de falar *não à mim?
Como pude não ter coragem de falar *sim à mim?
Porque não tenho o direito de ser assim...?

*Estopa (texto do blog) me define agora
Acho até que com o mesmo aprofundamento, sempre fui intensa!
Agora quase 10 anos depois, volto pra mim, volto a escrever, sim, preciso me salvar!
Preciso de calma
Preciso de letras
Preciso de mim
Preciso de mim

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quando cada gota de suor escorre por entre os fios de cabelo, te lembrando que ainda sente tudo, sua pele que ainda sente depois de tudo adormecido, depois de não se lembrar de tudo... E o cabelo enroscado no braço, fazia um nó de desatino. A pele seca raspando entre o resto, o suor aparecia de intruso hidratando os poros desabitados, tudo seco, raspando tudo.
Era sim lembrado os músculos que movia, a dor era absoluta e o suor...frio, olhava diretamente para alguma coisa que não estava ali, mas queria que estivesse. Tudo era maior, flutuando sobre os olhos. Dançando levantei, os cabelos eram um ninho só, o que via era só uma luz refletindo uma beleza sem fim.
Mar de suor salgado, que me secara, usara e me deixara estirada no chão, como alga perdida longe de casa e de longe fui me encaixando entre o quadris, me fazendo caminhar, fincando os passos indo em sua direção. Brigamos novamente, foi uma luta corporal férrea, mas ele consegue me derrubar sempre, me dando curvas, olés, me derruba no chão e me entope inteira.