sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Menino


Menino
Não me faça correr.Não posso mais, não consigo mais
Vamos! Me traga o cigarro.
Obrigada meu tesouro.
Menino! Não me olhe assim
Não estou a fazer nada
Não quero fazer nada
Por enquanto
Me diga ,você gosta de mim?
Eu também. Menino! Não me olhe assim
Porque tem esses olhos de Meu?
Porque é meu, não é ?
Vamos não dirija seus olhos como um motorista bêbado
Agora você pode olhar para mim.
Não me faça chorar seu moleque .
Nunca ! Nunca me faças chorar
Se um dia eu chorar serão por teus olhos que irei derramar minhas lágrimas.
Menino
Estou cansada de te ver sentado
Levante e vá buscar o cigarro para mim, sem correr
Está muito lento
Você gosta disso não é?
Vai
Eu sei
Vai
Menino
Não corra já disse, não posso mais, não consigo mais
Está vendo ali ?
Sou eu
Não me pareço mais, acho
Me diga você gosta de mim?
Pois eu não
As vezes é facíl se ver , outras é tão mais...cansativo.
Menino
Vai lá
Mas me traga o cigarro e o espelho , o vinho...só
Não me olhe assim com esses Meus olhos senão...
Vai
Eu sei
Menino
Vem devagar
Eu aguento a deformidade minha
E essa sua inocência me irrita às vezes
Mas o que posso fazer se você me trata assim. Me salvar agora seria...criar obstáculos para sua própria vida
Não estou a fazer nada
Não quero fazer nada
Nunca mais
Paro de tragar
Traga só o espelho, quero me pintar
Essa sua inocência me encanta
Quero minha lata de flor

3 comentários:

  1. Eu quero uma peça com este texto escutou MARIANA FERRARI??
    ou melhor...FLOR MESCLADA!
    rsrs

    ResponderExcluir
  2. apenas lágrimas.
    lágrimas e lágrimas.
    me encantei

    ResponderExcluir
  3. É difícil descrever qual a emoção ou qual a imagem que me tocou mais fortemente ao ler esse poema. Mas de uma coisa tenho certeza: você é uma escritora perfeita.

    Acho que a primeira coisa em que pensei foi no nome do blog, afinal o eu lírico desse poema é exatamente como imagino ser essa intrigante Dona Capitolina. E não tenha dúvidas: você não fica devendo nada para o grande Machado.

    Poema fantástico. Ainda agora visualizo a mulher e o menino e sinto algo dentro do peito que não sei o que é, poderia comparar a um estremecimento ininterrupto, e te garanto, eu nunca senti nada semelhante lendo um poema.

    Poderia escrever por horas e horas e ainda assim não chegaria aos pés do que o seu poema merece. Por isso, fico por aqui. Meus mais profundos parabéns, e que eu possa continuar me emocionando com seus poemas. Até o próximo post!

    ResponderExcluir