segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Forte


Estou tão vazia e cheia do mundo. E o mundo está tão cheio de gente vazia.
Estou prestes a perder as estribeiras. Serei eu feita de barro, derreter sob a lua, sorrir pela simples gota de orvalho refrescando a nuca quente que dissolve qualquer coisa. Movimento frígido, compactado, completamente dançando na companhia do vento e ele representando tudo o que é possível se fazer com seu corpo, acompanhando o seu torneado te leva a outro instante minino do fragmento de memória que se passa por nós sem percebermos.
Num instante e tudo se passa, correndo.
No final sei que crescente serei flor de pedra, calcificada para sempre no vale de sonhos futuros, onde nem ao menos podemos existir de verdade e nem ser quem queremos ser e sim flor, minhas raízes incrustadas vai sugando todo o sulco invocado dos espíritos selvagens que me invadem, transformando minha alma em luz transcendente, iluminando todos os animais, irmãos de terra que me fazem correr como cavalo, cavalgo furiosamente por dentre as colinas, sentindo o vento soprando em meu pelo do fuço, relincho e caio sobre  a grama alta coçando a minha crina comprida. Paro e fungo uma respiração forte, vejo plantas se enroscando em meu cascos e começam a se emaranhar nas minhas patas se infiltrar no pelo, pele, carne e ser transformado não reclama, só aproveita o tempo que lhe resta entre tudo.
Possuo vida diante do mundo. Mas para que todos os seres possam ter também , diminuo a minha pela metade, vivida intensamente em todos e por todos. Mesmo que envelheço mais rápido por isso, não seria necessário as rugas, juro!

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